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Falta atitude sustentável - Oscar Ferreira

05.11.2012

Falta atitude sustentável

Oscar Ferreira*

 

Belo Horizonte tem se esforçado para cumprir as metas estabelecidas pela Fifa para a realização de uma Copa do Mundo ambientalmente sustentável. Entre elas estão a redução do consumo de água e de energia e da emissão de gases de efeito estufa, bem como aumento da reciclagem de resíduos sólidos, melhoria da qualidade das áreas verdes e aperfeiçoamento da mobilidade urbana de forma sustentável. Acredito que todas essas metas seriam mais facilmente atingidas se a capital mineira, em suas propostas de políticas públicas, incluísse incentivos fiscais e leis municipais que buscassem crescimento com sustentabilidade. novas tecnologias que podem fazer com que a cidade tenha realmente uma Copa Verde, mas as iniciativas são tímidas. Ainda enfrentamos desafios que incluem preconceito e falta de informação.

 

Chicago (EUA) é um exemplo de cidade que, com o incentivo da prefeitura em redução de impostos, está trocando o concreto por belas paisagens verdes, que aos poucos amenizam o ambiente urbano saturado e dão a ele mais vida. Defini Chicago como um grande tapete verde. E o que constatei na viagem de uma semana com um grupo de arquitetos mineiros do Gemarq (Grupo de Empresas Mineiras de Arquitetura e Urbanismo) é que a sociedade está sendo contaminada por essa vertente. Cada edificação tem o seu telhado verde, que, além de proporcionar beleza, possibilita o recolhimento da água da chuva, que é tratada para uso diverso; a diminuição da temperatura ambiente e o cultivo de hortas. Os telhados verdes mudam o visual da cidade e ainda garantem benefícios a toda a comunidade, pois a temperatura fica mais amena. Os edifícios ecologicamente sustentáveis incluem ainda vidros que absorvem menos calor e utilização de materiais reciclados.

 

É fato que os telhados verdes exigem um pouco mais de investimentos na obra, pois pedem impermeabilização e drenagem bem feitas, mas os ganhos para toda a comunidade são indiscutíveis. Na Europa e Estados Unidos essa cultura vem sendo disseminada 30 anos, sendo comum a aplicação de vegetação sobre as coberturas. O Brasil como um todo está muito atrasado em termos de soluções construtivas dessa natureza. poucos projetos em destaque, como o da sede da Prefeitura de São Paulo. Em Belo Horizonte, de se ressaltar a cobertura do prédio do Banco do Brasil, na área central.

 

O poder público e a iniciativa privada têm de se conscientizar que esse é um caminho sem volta. Como exigiram os jovens na Rio+20, temos de agilizar os processos construtivos que envolvam a temática da sustentabilidade. E para isso é preciso criar leis que incentivem os prédios verdes, com métodos construtivos que não agridam o meio ambiente, e que apresentem tecnologias para economia e eficiência no uso da água e energia. Estamos ficando realmente sem tempo. Não porque temos de ter uma Copa Verde, mas porque somente a mudança de hábitos e de atitude vai garantir um espaço urbano mais sustentável e com melhor qualidade de vida.

 

*Arquiteto, diretor de Projetos do Sinduscon-MG, vice-diretor de Arquitetura do IAB-MG, sócio-gerente da Arquitetura Oscar Ferreira, membro do Gemarq.


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