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As cidades se reinventam

As cidades se reinventam Embora pareça se tratar de uma questão recente, as discussões em relação ao futuro das grandes cidades e os problemas que afetam a nossa qualidade de vida urbana têm sido pauta há alguns séculos. A cidade de Paris, por exemplo, foi objeto de uma grande intervenção urbanística no século 19. O plano do barão de Haussmann, como é conhecido, teve como objetivo melhorar a mobilidade, eliminar a insalubridade e valorizar os monumentos, facilitando as manobras militares. Outras cidades descobriram que através do planejamento urbano, da gestão participativa e da parceria com a sociedade é possível revitalizar áreas degradadas, reorientar o desenvolvimento e promover benefícios nos campos social, econômico e ambiental. Mas como reinventar a cidade?
 
Considerando que 84% da população brasileira vive nas cidades, o meio urbano se configura como palco dos grandes desafios socioambientais. O tema “cidades” faz parte de uma das sete questões críticas da Rio+20, juntamente com emprego, energia, alimentação, água, oceanos e desastres naturais. Portanto, a gestão das metrópoles é considerada estratégica para o futuro do planeta. Não imagine o leitor que somente cidades de primeiro mundo são capazes de se reinventar, tornando-se mais sustentáveis e justas. Bogotá e Curitiba são exemplos bem próximos. O planejamento urbano deve reavaliar o processo de expansão das principais cidades brasileiras, investindo em um modelo que privilegie o uso da infraestrutura já existente, aproximando as funções de morar, trabalhar e de ter acesso aos serviços. O traçado e a infraestrutura devem priorizar o uso do transporte coletivo, estimulando também outras formas de deslocamento, como bicicleta e caminhada. Já que as funções estarão mais próximas, o tempo dos deslocamentos diários será reduzido. A abordagem metropolitana deve considerar, assim como previsto no Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da RMBH (PDDI), o desenvolvimento de novas centralidades, reduzindo a dependência em relação à capital e estimulando a economia regional. Nestas centralidades será possível experimentar a mesma qualidade de vida da cidade pólo, com todos os serviços, educação, saúde, habitação e empregos, eliminando grande parte do movimento pendular casa-trabalho que consome parte da jornada do trabalhador. Estruturas ociosas podem dar lugar a novos usos, revitalizando regiões. Em Nova York, uma antiga área de galpões e estruturas ferroviárias abandonadas deu lugar a um novo parque urbano, denominado Highline, irradiando um processo de revitalização e valorização urbana. Parece comum às diversas intervenções que buscam revitalizar e reinventar as cidades: a valorização da cultura, história e do patrimônio. A promoção de espaços públicos e coletivos, de encontro e lazer. O uso diversificado, aproximando a moradia dos serviços. A inclusão social e a priorização do transporte de massa. A construção coletiva, através do estímulo à programas de gestão participativa e o resgate da vida em comunidade. Pense, então, o quanto podemos fazer pela nossa cidade.
 
(*) Sergio Myssior, arquiteto e urbanista, é Vice Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG), Conselheiro da AMDA e diretor da MYR projetos sustentáveis. E-mail: smyssior@gmail.com

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