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Cidades Compactas

O conceito de sustentabilidade aplicado às nossas cidades é mais abrangente que um conjunto de edificações eficientes e com selos de sustentabilidade. Isto não significa que o investimento na eficiência energética, no reuso da água, na iluminação e ventilação e nos materiais construtivos não seja importante. Mas uma cidade realmente comprometida com as gerações futuras e com a qualidade de vida deve incorporar parâmetros diferenciados no planejamento e no desenvolvimento urbano e metropolitano.

A cidade deve, assim, desenvolver estratégias amplas e inclusivas que incorporem os aspectos cultural, social, ambiental e econômico, dentre outros. Isto significa repensar o modelo de desenvolvimento até então vivenciado, que basicamente concentrava as funções institucionais e econômicas de maior relevância, relegando para as regiões periféricas as ocupações residenciais de menor poder aquisitivo, com deficiência de infraestrutura e serviços.

Já a chamada “cidade compacta”, reúne em múltiplas centralidades as funções morar, trabalhar, lazer e serviços, otimizando o uso da infraestrutura, reduzindo o consumo de energia e recursos para as funções do dia a dia. Este modelo é capaz de proporcionar, em alguns locais, densidade construtiva mais elevada, permitindo usos múltiplos (moradia, comércio, serviços), de acordo com a capacidade de suporte da região e com a própria infraestrutura.  Neste novo cenário de reorganização espacial, funcional e cultural de nossas cidades, buscamos aproximar o cidadão da própria cidade, resgatando a vida em comunidade e priorizando o pedestre em relação ao automóvel. Reforçando a mobilidade urbana e metropolitana, mas reduzindo a necessidade de grandes deslocamentos. Seria uma espécie de desenvolvimento de múltiplas “cidades do interior” dentro de uma grande megalópole.

Interessante perceber, portanto, a necessidade de revisão e atualização do planejamento urbano e estratégico das nossas cidades, com vistas na melhoria da qualidade de vida urbana, restabelecendo a vida em comunidade e reforçando a cultura e os costumes locais. Lembrando que hoje em dia o planejamento se faz com a participação / interação da comunidade e da população.

(*) Sergio Myssior, arquiteto e urbanista, é Vice Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG), Conselheiro da AMDA e diretor da MYR projetos sustentáveis. E-mail: smyssior@gmail.com
 


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