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A cidade é um campo de oportunidades

06.06.2013

A cidade é um campo de oportunidades

O mundo está se tornando predominantemente urbano. Segundo o Censo de 2010, mais de 84% da população brasileira vive nas cidades. Aqui moramos, trabalhamos, nos relacionamos, criamos os nossos filhos e nos divertimos, mas também convivemos com os diversos problemas urbanos, tais como a falta de segurança, moradia, a deficiência do transporte, ocupação de áreas de risco, dentre tantos. Fica a questão: a cidade tem solução?

A sustentabilidade aplicada às nossas cidades é mais abrangente que um conjunto de edificações eficientes e com selos de sustentabilidade. Isto não significa que o investimento na eficiência energética, no reuso da água, na iluminação e ventilação e nos materiais construtivos não seja importante. Mas uma cidade realmente comprometida com as gerações futuras e com a qualidade de vida deve incorporar parâmetros diferenciados no planejamento e no desenvolvimento urbano, ambiental e metropolitano. Estudos estabelecem uma correlação positiva entre o planejamento urbano e o desenvolvimento.

A cidade promove a troca de conhecimento, mercadorias e serviços, gerando divisas materiais e imateriais. Desenvolver estratégias amplas e inclusivas que incorporem os aspectos cultural, social, ambiental e econômico, dentre outros, tem sido o desafio das cidades contemporâneas. 

Isto significa repensar o modelo de desenvolvimento, que basicamente concentrava as funções institucionais e econômicas de maior relevância, relegando para as regiões periféricas as ocupações residenciais de menor poder aquisitivo, com deficiência de infraestrutura e serviços. 

A cidade é o local da festa, como diria Lefebvre. O urbano é a simultaneidade, a reunião, é uma forma social que se afirma!
O programa das Nações Unidas para um futuro urbano melhor, UN-HABITAT, publicou em abril de 2013 alguns princípios para o novo modelo urbano do século 21, conforme resumidamente adaptado:
Promover a cidade compacta e de uso misto: o novo paradigma otimiza o desenho urbano, aproximando as funções de morar, trabalhar, ter serviços e infraestrutura
Reforçar o espaço urbano e de convívio: resgatar a vida em comunidade, priorizando o espaço público urbano como a espinha dorsal da cidade
Abordagem integrada: eliminando intervenções setoriais e fragmentadas e dotando a cidade de uma visão holística e comprometida com todos 
Repensar o espaço urbano, eliminando a segregação do espaço e incrementando a integração social
Planejar o uso do solo de forma inteligente, criando políticas e instrumentos de desenvolvimento sustentável
Cidades devem promover uma espiral positiva de desenvolvimento: o paradigma urbano requer estratégias, planos e projetos, capaz de catalisar estes fatores. Resgatar e valorizar a identidade, a cultura, os costumes, aproveitando as oportunidades locais no contexto global. 
Cidade justa e com oportunidade para todos: garantir o interesse coletivo de uma cidade, reforçando a gestão inclusiva e participativa

A cidade mais justa e sustentável envolve, necessariamente, uma transformação cultural e econômica, refletindo sobre os nossos valores, nem sempre tão novos. Onde está a qualidade de vida, as amizades e estórias do bairro, o contato com a natureza, a vida em comunidade? 

Explorando o entorno descobriremos este potencial de transformação e requalificação. O Rio de Janeiro redescobriu o bondinho, que circula pelas ruas de Santa Teresa, resgatando a música e a cultura local. A cidade de Nova York resolveu transformar um antigo trecho ferroviário urbano em um parque linear, com atrações culturais, turísticas, moda e arte (projeto highline). Medellín, na Colômbia, investiu na cultura e educação através das bibliotecas públicas. Em BH temos bons exemplos, como a requalificação da praça da estação e o mercado da Lagoinha, só para citar alguns. 

Muito pode ser feito, tanto pelo poder público, iniciativa privada, como pela sociedade. Aqui temos desafios, mas enormes oportunidades. O olhar ambiental e urbano, aliado à prática inclusiva e participativa, encontra um campo fértil para a melhoria da qualidade de vida, resgate da vida em comunidade e valorização dos nossos ativos culturais e ambientais. 

A cidade tem solução!

(*) Sergio Myssior, arquiteto e urbanista, é Vice Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-MG), membro do Grupo de Empresas Mineiras de Arquitetura e Urbanismo (GEMARQ) e diretor da MYR projetos sustentáveis.

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